terça-feira, 5 de abril de 2011

RECADINHO

Peço desculpas aos amigos pela falta de matérias atualizadas. Prometo que em breve teremos alguma novidades por aqui, ok!

Maestro Pedroza: Super dicas aos músicos

Maestro Pedroza: Super dicas aos músicos

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Super dicas aos músicos

1- O músico precisa aprender a se "mixar" no grupo, aprender a ouvir os outros instrumentos, afinal, é um conjunto musical.
2- Todo músico deve treinar prática de conjunto se quiser amadurecer mais rapidamente.
3- A teoria musical é fundamentalmente necessária, mas entre a teoria e a prática há uma distância que poucos querem percorrer.
4- "Um bom médico não é aquele que receita um remédio sem saber o que está fazendo. Um bom músico não é aquele que toca sem saber o que faz".
5- Autodidata - Há um engano no uso deste termo, pois há muitos analfabetos musicais dizendo-se autodidatas (uma desculpa para a preguiça), autodidata é aquele que estuda sem um professor, mas estuda.
6- Uns falam antes de tocar algo, outros tocam antes de falar algo. Eis a diferença entre "músicos" e músicos.
7- O músico deve aprender a conduzir uma música como ela é e não como ele acha que deve ser. Isto é maturidade.
8- Há músicas em que o metrônomo só serve para o primeiro compasso, porque necessitam de uma interpretação flexível.
9- A pulsação rítmica bem como o andamento são para serem sentidos e não ouvidos. Este princípio é para todos, mas fundamental para bateristas e percursionistas.
10- Acompanhar um cântico é antes de tudo uma prática de humildade e sensibilidade. Nas igrejas, geralmente, os músicos querem mostrar toda a sua técnica em hora errada. O correto é usar poucas notas, não saturar a harmonia, inserir frases nos espaços melódicos apenas, e o baterista conduzir. Ou seja, economize informações musicais!
11- Há uma tendência atual de supervalorizar a velocidade do músico, quantas notas ele executa por tempo. Velocidade não é sinônimo de bom músico. O bom músico é aquele que tem a sensibilidade de fazer a coisa certa na hora certa. A velocidade é uma consequência.
12- A técnica deve ser estudada e sempre aprimorada, mas lembre-se de que é um meio de facilitar a execução da música e não um meio de exibicionismo.
13- Uma boa maneira de aprimorar a interpretação é aprender primeiro a se ouvir, depois executar. Tem gente que canta e toca e não sabe o que está fazendo; acostume então a gravar o que é executado e seja autocrítico, estude, grave e ouça o que estudou; com o tempo você encontrará a forma ideal para a sua execução.
14- Lembre-se: pausa também é música, portanto, "não sole na pausa".
15- A música possui três elementos básicos: harmonia, melodia e ritmo. Procure distribuir os instrumentos musicais no arranjo conforme estes elementos. Há instrumentos harmônicos e melódicos, há somente melódicos, há rítmicos e instrumentos que fazem os três, mas defina no ensaio ou arranjo, quais serão os devidos "papéis" para cada instrumento.
16- A escolha do tom de uma música depende do canto; este deve ser dentro da tessitura vocal e confortável para ela. Mesmo que o tom escolhido não seja o mais confortável para o instrumentista ele deve executá-lo. Outra observação é que o tom pode influenciar na soronidade da música vocal com acompanhamento. O problema é que muitos confundem. Na música instrumental, a técnica e a expressão são mais exigidos porque as notas devem transmitir algo. Na música onde há o canto, a ênfase é para a mensagem, portanto, não deve ser interferida por outros elementos.
17- Versatilidade - Procure ser o mais possível. Saiba ouvir vários estilos, do erudito ao moderno, ouça com ouvido crítico e analítico. Saiba ouvir. Extraia coisas boas de cada estilo. Outro detalhe, é o músico não ficar "preso" somente ao seu instrumento, saiba apreciar a forma de execução como sonoridade e fraseado de outros instrumentos.

DESAFIOS DA LIDERANÇA CRISTÃ

A verdade é que entramos no século 21 com tremendos desafios para a liderança na igreja. Um deles é, no dizer de Warren Wiersbe uma crise de integridade. E ela atinge o cerne da autoridade e da liderança da Igreja de Jesus Cristo. Wiersbe lembra que Paulo exclamou com as veras da sua alma: "não me envergonho do evangelho!" E sugere que talvez o evangelho afirme: "(mas) eu me envergonho dos cristãos". Quanta coisa tem sido praticada em nome do evangelho, com aparência de evangelho, com linguagem de evangelho, e tem dado como resultado superficialidade de convicções, confusão mental e espiritual, e enfraquecimento da fé porque os líderes, pastores ou não, têm aberto campo para a falta de ética, para a manipulação dos sentimentos, para a falta de integridade. Excelente palavra a que traduz o conceito de integridade na língua hebraica: shalom, a qual é vertida para o português com alguns ricos significados, tais como "inteireza, integridade, plenitude, sucesso, salvação, saúde, prosperidade e, também paz".Não podemos fazer por menos: o instrumento que Deus tem para unir as pessoas, fatos e acontecimentos é a Igreja de Cristo.
O líder há de ser íntegro, "limpo de mãos" (cf. Cl 1.9,10; 2.10; Sl 24.3,4), e "puro de coração" (cf. Sl 24.3,4). O líder cristão deve possuir uma mente como a de Cristo (cf. 1Co 2.16); sua vontade é honesta (Ed 9.6). O fato é que na época de Jeremias a religião parecia com esta do século 21: o povo dizia crer, mas havia influência secularista, pois o que cria não fazia diferença quanto ao modo de viver.
O ideal evangélico está expresso em 2Coríntios 5.17. Além disso, na época de Jeremias, a religião havia se tornado um "grande negócio". É só conferir com as exclamações do profeta Jeremias que não tolerava os abusos como em 5.30,31 e Lamentações 4.13. Tudo isso é o que A. W. Tozer chamou de "tratamento comercial" do evangelho. Esse mesmo "tratamento comercial" é responsável pelo pragmatismo religioso: "visto que a igreja está cheia, Deus está abençoando", afirmam.Outro desafio às portas do século 21 são os novos estilos de culto. O que em outros países é denominado histórico ou contemporâneo, em nosso país é objeto da pergunta "tradicional ou renovado?" Outras comunidades têm utilizado a terminologia Culto Jovem contrapondo-se ao estilo recebido de liturgia e rito.É evidente que o culto é mensurado pela transformação causada nos que cultuam a Deus, e há de ser sempre "em espírito e em verdade" (Jo 4.23,24), ou não há de ser culto. É gratidão, reconhecimento, louvor, e (embora não seja o propósito primário) terapêutico. Ao tempo que o cultuante reconhece o cuidado, carinho e amor de Deus, louva-O e sai aliviado das tensões, dos cuidados e preocupações, terapia grupal no louvor comunitário. O culto, por ser dinâmico, envolve mudanças, mas envolve igualmente o que nunca deve ser mudado. Deus não muda; as verdades eternas não mudam; a Palavra de Deus não muda. Questiona-se a ressurreição de Jesus Cristo, a realidade do pecado, a necessidade de salvação, e a singularidade da obra redentora de Cristo. Mas o método pode mudar porque não são estáticos, mas se adequam aos tempos e circunstâncias.A liderança da igreja às vésperas do século 21 há de estar aberta para o novo sem perder a visão do permanente na igreja. Afinal, somos líderes e capacitadores numa comunidade local sem perder a visão do todo da Igreja de Jesus Cristo; e capacitadores e líderes da Igreja de Deus sem perder a visão da comunidade como expressão local dessa Igreja. Numa análise do que chama "a Igreja do Futuro", Ralph W. Neighbour destaca que a "Igreja do Presente" se caracteriza por ser tridimensional: tem largura, comprimento e profundidade, mas não possui poder espiritual para dar à luz outra geração de cristãos. A "Igreja do Futuro", além dessas dimensões, tem mais uma: altura, ou seja, vive num mundo físico, de três dimensões como a outra, mas vive em acréscimo num ambiente espiritual onde "principados, potestades, príncipes do mundo destas trevas, hostes espirituais da iniqüidade" são diariamente enfrentados. É o caso, então, de examinar o que Neighbour destaca quanto ao que caracteriza essa Igreja dinâmica, ativa, viva, quadridimensional:· O Espírito Santo é Quem a dirige. É só permitir que Ele a controle nos termos de Efésios 3.16. A Igreja e sua liderança não são significativas pelo que possuem, mas porque são usadas por Deus.· Essa Igreja vive na quarta dimensão, sem qualquer alusão à ideologia esposada pelo pastor coreano David (antes Paul) Yongi Cho. Humanos, somos seres tridimensionais; mas como povo de Deus, e ainda mais, liderança desse povo, temos por conceito o sublime e urgente dever de ser quadridimensionais. Afinal, é nessa dimensão que o poder de Deus se revela e Satanás é vencido (cf. Jo 3.3; Ef 2.18,19). Onde se enfatizam as três dimensões, a liderança trabalha para o povo; nas quadridimensionais, a liderança trabalha com o povo.Não é de estranhar, portanto, que na Igreja onde se enfatizam as quatro dimensões a liderança seja composta por aqueles em quem os milagres de Deus acontecem de modo pessoal, e não de segunda mão. Ver a Deus, por exemplo, é experiência de primeira mão: Noé teve uma experiência sensorial com Deus e tornou-se o arauto divino para o arrependimento do seu povo (Gn 6.13); Abraão viu a Deus, e isso resultou num rompimento com a velha e surrada vida no politeísmo de sua terra natal (Gn 12.1ss); Jacó viu a Deus, e desde esse momento tornou-se "o princípe de Deus" ((israel, cf. Gn 32.22-32); Moisés viu a Deus e isso fez diferença na sua vida (Ex 3. 1-12; 34.29-35); Gideão que teve um encontro transformador com o Todo-Poderoso (Jz 6.11-24); Elias recuperou-se de um processo de depressão para a vitória porque viu a Deus (1Rs 19.8ss); Isaías nunca mais foi o mesmo depois da visão de Deus (Is 6.1ss); foi o caso de Paulo (At 9.1.ss). E "ver a Deus" dá novas energias. Quando se experimenta pessoalmente o poder de Deus, não se necessita ser aguilhoado para crer que todas as coisas são possíveis por meio de Cristo Jesus. Um líder que tenha tido uma visão definida de Deus será capaz de amar, terá todas as condições de repassar esperança, assim como capacidade de comunicar a fé. Na verdade, só podemos influenciar e liderar outros até o ponto a que nós mesmos chegamos. Nesse ponto, vai se revelar o líder espiritual em contraposição ao líder natural.
Segundo Sanders, o paralelo entre estas duas qualidades de líderes é o seguinte:
* O Líder Natural·
- É autoconfiante·
- Conhece os homens·
- Toma as próprias decisões·
- Usa os próprios métodos·
- Gosta de comandar os outros (e ser obedecido)·
- É motivado por questões pessoais·
- É independente.
* Bem diferente, portanto, do Líder Espiritual, o qual:·
- Confia em Deus·
- Conhece os homens e conhece a Deus·
- Faz a vontade de Deus·
- É humilde·
- Usa o método de Deus·
- Busca obedecer a Deus·
- É motivado pelo amor a Deus e aos homens·

Que Deus nos abençoe - Walter Santos

terça-feira, 2 de março de 2010

O REPERTÓRIO CORAL

Todo ensaio coral, para ser eficiente e produtivo, precisa ser planejado e organizado. O planejamento do ensaio começa sempre com a escolha do repertório a ser interpretado, uma tarefa complexa porque as obras selecionadas devem estar em consonância com o nível técnico, musical e vocal do grupo, assim como o perfil econômico, social e cultural dos participantes e da instituição a qual o coro está vinculado. As obras que constituirão o repertório semestral ou anual do conjunto precisam ser definidas antes do início da temporada de ensaios. Elas devem ser acessíveis e, ao mesmo tempo, desafiadoras.

Após selecionar o repertório, o regente elaborará o cronograma dos ensaios, o calendário das apresentações, assim como os recursos financeiros, materiais e humanos necessários à consecução dos projetos e metas estabelecidos.No Brasil, a edição e publicação de obras originais para coro ainda é incipiente, fato que poderá dificultar as possibilidades de escolha do repertório. Esta realidade tem levado muitos profissionais a optarem por um repertório de qualidade duvidosa, relegando, para o segundo plano, a vasta literatura originalmente escrita para coro. Defendo que os regentes selecionem os repertórios dos seus grupos pensando sempre numa perspectiva artística e educacional, que promova o crescimento técnico e expressivo dos cantores.

É possível encontrar gratuitamente na Internet obras de diferentes períodos, autores e estilos. Entretanto, muitas partituras apresentam problemas, merecendo um olhar mais atento do regente, uma vez que podem ter sofrido grandes alterações editoriais. Recomendo uma visita ao sítio da Choral Domain Public Library (http://www.cpdl.org/), que tem um acervo organizado e variado. Outra possibilidade são os pacotes promocionais que as editoras norte-americanas e européias oferecem aos seus clientes. O interessado precisa cadastrar-se e pagar taxas específicas para receber, pelo período de doze meses, uma cópia de cada uma das obras publicadas pela editora selecionada. Dentre as mais conhecidas, destacam-se a Oxford(http://www.oxfordmusiconline.com/), a Santa Barbara Music Publishing

(http://www.sbmp.com/), a Alliance Music (http://www.alliancemusic.com/), a Hinshaw Music (http://www.hinshawmusic.com/), a EarthSongs (http://www.earthsongschoralmusic.com/), a Boosey & Hawkes (http://www.boosey.com/) e a Cantus Quercus (http://www.cantusquercus.com/), esta última especializada em música coral brasileira.

Por aqui, algumas instituições têm se dedicado à publicação do repertório coral, dentre as quais a Editora da Universidade de São Paulo (http://www.edusp.com.br/) e o Museu da Música de Mariana (http://www.mmmariana.com.br/). Uma boa sugestão para ampliar o conhecimento do repertório é ouvir a rádio online da American Choral Directors Association (http://www.acda.org/), que apresenta obras corais diversificadas.A prática coral é um espaço privilegiado para a educação musical, e o foco do regente deve ser dirigido para a sistematização pedagógica desta atividade. Por isso, é preciso selecionar o repertório criteriosamente e em função da sua importância no processo de aquisição e compreensão da linguagem musical.Vladimir Silva (silvladimir@gmail.com)

sábado, 17 de janeiro de 2009

Regência Coral / Orquestral

ASPECTOS DA REGÊNCIA (01 de fev 2009)
A arte da regência é uma ciência como qualquer outra, utilizada como um meio de fazer arte, no entanto a esta arte são impostas implicações técnicas que devem ser desvendadas e dominadas por todos os candidatos a regentes, não importa que tipo de grupo se predispõe a dirigir. Não há diferença no dirigir um coro, orquestra ou banda. A técnica do dirigir é igual para todos os tipos de grupo, o que muda são os conhecimentos específicos de cada um.O que é a regência? Segundo o maestro Roberto Duarte, dirigir é muito mais que abanar os braços. É acima de tudo saber se relacionar com as pessoas. È lembrar que do outro lado de uma estante de música encontra-se um ser humano, que tem alegrias, tristezas, preocupações e problemas como todos, inclusive o maestro, e que ele deve ser tratado com respeito. O ato de dirigir engloba diversos conhecimentos importantes, como o conhecimento do relacionamento humano, o domínio dos conhecimentos gerais, o domínio dos conhecimentos musicais em geral, o domínio dos conhecimentos específicos da regência e por último o domínio da técnica do gesto. Nenhum destes conhecimentos isolados desempenham sua função dentro do “ser um regente”, mas só a soma do conjunto destes conhecimentos vai contribuir para que o regente se torne um bom regente.O maestro Duarte sugere (os valores apresentados nas porcentagens são fictícios, mas servem como sugestão para a reflexão que se pretende) o seguinte: · 2 % - Gestual · 3 % - Conhecimentos específicos da regência · 15 % - Conhecimentos musicais · 20% - Conhecimentos gerais · 60 % - Conhecimento do relacionamento humano Isto quer dizer que o gesto encontra-se no alto da pirâmide da arte da regência, mas que para que ele aconteça é necessário que na base da pirâmide haja os demais conhecimentos. O ato de dirigir está mais intimamente ligado a como se relaciona o maestro com seus comandados que com o gestual propriamente dito.O gesto tem sua importância na comunicação. Observe esta palavra: Table. O que significa? Como se pronuncia? O significado é um só: table = mesa, mas a pronúncia vai depender do idioma: francês ou inglês. O que desejo mostrar é que cada um tem seus meios de expressão, mesmo que o significado seja o mesmo. Há diversas maneiras de dizer a mesma coisa, dependendo apenas como você a diz. No entanto a linguagem que você usa deve ser compreensível para todos.O gesto tem um padrão universal, que pode variar dependendo do contexto da obra. O gesto não é um símbolo independente, ele está associado ao domínio e conhecimento da partitura, adquirido pelo estudo diário e pela dedicação ao que faz. Dirigir, não é apenas conduzir os elementos melódicos. Alguns maestros se tornam maestros dos primeiros violinos, dos sopranos ou das palhetas solistas. Dirigir é muito mais que dirigir uma linha melódica, com toda a certeza ela é importante, mas nem sempre a regência deverá se ater a linha melódica, visto que algumas linhas melódicas dependem de algum elemento rítmicos ou harmônico, e é aí que o maestro deverá verificar a importância destes elementos: a melodia, ritmo ou harmonia. Só para clarear um pouco mais, muitas vezes a linha melódica depende do bom desempenho de uma passagem rítmica ou de uma passagem harmônica. O maestro se preocupa tanto com o desempenho melódico e esquece de observar o que lhe dá sustentação.O olhar, as mãos, os braços, dedos, enfim o corpo todo deve participar na função da regência e estes não devem ser desperdiçados.A comunicação do maestro é feita por meios não verbais, e por este motivo os sinais devem ser claros, objetivos e precisos. Todo o processo de reger exige do maestro muito estudo e dedicação. O gesto deve ter objetivo claro e possuir uma estratégia bem definida. Tudo o que se faz a mais é desperdício e desvia a atenção podendo induzir ao erro.Todo o processo do gestual, não acontece por acaso. Alguns regentes se preocupam com a marcação de compassos, mas o ato de reger envolve muito mais que marcar compassos. Os músicos não desejam que um maestro marque compassos e sim que dirija a obra. O que desejo mostrar aqui é justamente o que está por trás de uma partitura simples ou complexa. O gesto é portador de uma idéia, de uma frase, de um efeito, de uma dinâmica, de uma passagem ou de um encadeamento harmônico. É pra isso que serve o gestual. Quando marcamos apenas um compasso, estamos nos tornando um metrônomo gigante, que na maioria das vezes não tem qualquer utilidade musical.
Convido a você a acompanhar o meu raciocínio numa abordagem sucinta alguns tópicos, aspectos importantes da regência válidos para todo e qualquer tipo de grupo que necessite de um regente:
a) O poder que temos em nossas mãos ao nos colocarmos frente a um grupo, pode de alguma forma contribuir ou prejudicar a eficiência do trabalho. Como desfrutar dos benefícios da autoridade, sem agredir nossos músicos, e sem prejudicar o resultado de nosso trabalho?
b) A memória e a importância que ela desempenha na direção musical?
c) A percepção do maestro frente aos fatos que se sucedem a cada instante dentro do grupo que dirigimos.
d) O domínio da partitura, a importância de saber a partitura de memória e dominar todo o conteúdo.
e) A batuta, como e porque usar.
f) As técnicas do gestual.
g) Como organizar o ensaio.
a) Poder:
A autoridade do maestro frente ao grupo de trabalho pode ser resumida em dois aspectos:· autoridade pessoal e autoridade técnica. Na regência, a autoridade é o substractum de sua arte, e é como se fosse parte integrante da natureza das coisas, sendo lastreada pelo conhecimento, experiência e competência do maestro. Na atividade humana, raras vezes o poder de um único indivíduo se mostra tão evidente nas exigências de obediência e lealdade. O gestual do maestro é dominador e sua imagem exprime suas intenções e expressões que devem ser seguidas. Exercer a atividade da regência, pressupõe ter virtudes de liderança, poder de comunicação, precisão técnica e senso de autoridade.O regente moderno não tem mais a ascendência autoritária como Karajan, que era chamado de Pontifex Maximus, que usava de mão de ferro para dirigir seus músicos. Hoje o “maestro sugere, não impõe sua vontade”. Bernard Haitink.O maestro Carlo Maria Giuliani, falando sobre a autoridade do maestro: “Não nos sentimos absolutos sobre o podium. Devemos pedir constantemente aos músicos que executem e aos cantores que cantem. Se formos autoritários é para pedir”. Ainda falando sobre o assunto, o maestro ainda comenta: “Entre o maestro e os músicos não deve haver trocas desiguais e que a obediência deve vir da convicção: eu prefiro convencer”. O maestro Pierre Monteaux fala sobre o assunto da seguinte forma: “O maestro nunca deve faltar com o respeito aos seus músicos, que tem o direito a ter direitos”. Há um provérbio italiano que sintetiza essas afirmações: “Tu recebes o que me destes”. O autoritarismo absoluto não existe mais, mantendo-se o respeito, o diálogo, sem abdicar de nosso senso de perfeição e musicalidade.
b) Memória:
A memória é a possibilidade do indivíduo de disponibilizar conhecimentos adquiridos sem o auxílio de referências escritas.Nesse sentido a memorização, segundo a psicologia, passa por três etapas principais:a. a aquisição do conhecimentob. tratamento da informação.
c) A lembrança, quando a informação é transferida para o momento do uso. O maestro Von Bülow sempre dirigia de memória e exigia que seus músicos o fizessem. Ele sempre afirmava que: “mais vale a pena ter a partitura na cabeça, que ter a cabeça na partitura”. O século XX tornou-se célebre que os grandes maestros dirijam seus concertos de memória, com a ascensão do maestro virtuose. Muitos regentes gostam de dirigir seus concertos totalmente de memória e outros, como Mendelssohn-Bartholdy (1809-1847), usava a partitura apenas como apoio, não necessitando utilizar o texto para toda a direção. No entanto, alguns regentes podem possuir lapsos, déficits ou perturbações de memória que o impedem de dirigir sem a partitura. Muitos consideram que dirigir de memória é um ato de exibicionismo e outros consideram que é um ato que demonstra o talento do maestro, no entanto não há uma unanimidade sobre o assunto. Cabe ao maestro considerar os riscos e os caprichos de dirigir com ou sem a partitura durante uma apresentação pública. De qualquer forma conhecer a obra de memória, com ou sem a partitura na sua frente no ato do espetáculo, é extremamente importante para o bom desempenho do maestro. Quando o uso da partitura for necessário, deve ser utilizada somente como apoio para eventuais consultas durante a execução. O trabalho de memorização do regente é fruto de paciente e demorado estudo e perseverança ao trabalho anterior ao primeiro ensaio, ou seja o domínio absoluto da partitura. A prática contribuirá para o desenvolvimento artístico, contribuindo dessa forma para o domínio do gesto, da expressão, da comunicação e da concentração, ou seja, o regente sabendo a partitura de memória, com ou sem ela à sua frente, passará a dominar os aspectos visuais, táteis, musculares analíticos, rítmicos e auditivos de sua música.
c) Percepção:
A percepção do músico de um conjunto instrumental ou vocal, que está sempre em estado receptivo é bem complexa, determinada pela associação do senso de acuidade visual, estabelecida por sinais gerados pela fisionomia, gestual e atitudes do maestro, somados à percepção auditiva do coletivo, sem deixar de lado as informações da partitura, que este transformará em linguagem musical, na elaboração do senso musical coletivo. Esse processo de percepção começa a partir do momento que se determina a afinação do conjunto, quando o maestro ergue os braços, chamando a atenção para o início do processo sonoro musical, seguido pelo principal sinal que se chama levare, do “i” ou seja, a preparação para a emissão do primeiro som do coletivo. A partir deste processo, o músico instrumentista ou cantor inicia a sua postura de receptáculo das informações. Todos os sentidos estão voltados para o maestro, e respondem as suas indicações, entrando num grau máximo de concentração. O gesto deve conter todas as informações necessárias para a interpretação, entre muitas estão as seguintes:
a. Fazer todo o efetivo musical tocar ou cantar junto.
b. Indicar o tempo.
c. Indicar as principais entradas.
d. Indicar os andamentos.
e. Indicar as dinâmicas.
f. Controle dos planos sonoros entre os naipes.
g. Indicar acelerandos e ritardandos.
h. Qualidade sonora do instrumento ou cantor.
i. Indicações e saída de fermatas.
j. Dirigir os fraseados.
k. Linhas melódicas.
l. Manter a fidelidade na interpretação.
m. Indicar articulações diversas, entre muitas outras indicações.
Ao mesmo tempo em que se pede a concentração dos músicos cantores ou instrumentistas, se faz necessário à mesma concentração do maestro, pois não havendo, pode-se ter a sensação de vazio no podium, sem saber o que fazer podendo provocar um desastre artístico.O maestro que não possui gestos claros, ou que possui gestos tencionados, que não olha para seus conduzidos, marcando apenas os compassos, perde a sua função como maestro, ou seja o músico não sente a necessidade de interagir com ele.
Transcrito de:
EMANUEL MARTINEZ - REGÊNCIA (coro, orquestra e banda)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Saúde da Voz

Saúde da Voz falada/Voz Cantada
Reunir um conjunto de cantores para executar belas obras faz parte da história humana há muitos séculos; a musicalidade é um atributo inato. O homem foi formado, dotado e inserido em um habitat musical, que, ao longo de sua existência foi organizando e normatizando este universo. Por esta razão, a música é universal , o único meio de comunicação onde não existe barreira de nacionalidade, seu código gráfico atravessa gerações com suas culturas, governos estilos, etc...
Com o passar do tempo associado as novas descobertas, o “mundo sonoro” tornou-se “mundo ruidoso”, com todos os efeitos indesejáveis desta nova realidade promovida pelo homem, o que é uma preocupação registrada na literatura há 460 a.C, por Hipócrates, que já estudava o fenômeno da fonação.
Para produção da voz, há necessidade da interação de órgãos de diferentes sistemas do corpo humano. As principais funções dos órgãos envolvidos na fonação é respiração e alimentação.

Órgãos envolvidos na fonação
A voz é produzida na laringe (órgão do sistema respiratório), através das pregas vocais (estruturas musculares, responsáveis em proteger os pulmões), amplificada nas caixas de ressonâncias (orifícios e “entrâncias” nos órgãos e no crânio para torna-los mais leves) e modificada nos órgãos articuladores (boca,língua,dentes, lábios e sistema digestório).
Além da função vital (troca gasosa), o sistema respiratório fornece fluxo e pressão de ar necessários para produção da voz e fala. O nariz é importante na captura do ar e na qualidade da corrente respiratória. O revestimento interno do nariz é composto por uma mucosa úmida e ciliada, o que permite filtrar as impureza do ar inspirado. Quando a inspiração é feita por via nasal, o ar é purificado, aquecido e umedecido. A maior parte do sistema respiratório é formado pelo sistema pulmonar, composto de traquéia , brônquios e pulmões. A traquéia é um tubo retilíneo composto por anéis cartilaginosos e por porções musculomembranáceas. Os brônquios dividem-se em bronquíolos que se subdividem em alvéolos pulmonares, local onde ocorrem as trocas gasosas. Os pulmões são altamente elásticos, a base é larga e côncava o ápice é pequeno e arredondado, as superfícies são chamadas de costais e mediastinais. Eles são protegidos pela caixa torácica constituída por ossos e músculos (costelas entrelaçadas por músculos). Os músculos da respiração podem se divididos didaticamente em : torácicos e abdominais.
Os torácicos são:
diafragma;
intercostais internos;
intercostais externos;
escaleno;
torácico transverso;
quadrado lombar;
peitoral maior;
peitoral menor.
Os abdominais são:
reto abdominal;
oblíquo externo;
oblíquo interno;
abdominal transverso.

O diafragma é o maior e o mais importante músculo da respiração. Sua ação determina o nível de profundidade respiratória que o indivíduo realiza. Em repouso, os tendões do diafragma formam dois semicírculos nas bases dos pulmões , o que dá uma imagem de guarda-chuva aberto; na inspiração, durante sua construção o diafragma retifica-se, devido á origem inferior das fibras musculares , eleva as costelas e aumenta a dimensão vertical do tórax. Os músculos responsáveis pela elevação e rebaixamento das costelas no processo de entrada e saída do ar são os intercostais internos e externos.
Quando o objetivo da respiração é a fala, é necessário que se forme pressão aérea capaz de fazer vibrar a mucosa das pregas vocais. A pressão resultante que inicia na traquéia , abaixo das pregas vocais é chamada de pressão subglótica. A fala ocorre durante a expiração prolongada, que se deve ao relaxamento controlado dos músculos inspiratórios, os quais reprimem a ação elástica, principalmente responsável pelo retorno dos pulmões e caixa torácica a posição de repouso. Na respiração vital realizados de 16 a 18 ciclos por minuto, já na fala a velocidade dos ciclos é reduzida a média de 8 ciclos por minutos.
Para a produção da voz e da fala normais é essencial a coordenação da respiração, equilíbrio das forças aerodinâmicas e mioeláticas da laringe, fundamental para que a fonação não seja demasiadamente soprosa ou excessivamente tensa. A postura corporal define grande parte do comportamento respiratório, se o corpo encontra-se em desequilíbrio em relação á gravidade, as relações mecânicas e as forças elásticas inerentes ao sistema respiratório estarão alteradas. Toda descrição acima citada é comandada pelo sistema nervoso central.


Drª. Celomite Sisnande
FonoaudiólogaMembro da IEAD em Nova Iguaçu, RJ


NB.: Aguardem a Continuação deste assunto

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